Luz e movimento
um roteiro cheio de impressões visuais
A luz do dia revela, numa paisagem, muitos detalhes que se movimentam como um filme sem que os percebamos, devido ao nosso ir e vir constante. O sol se alterna com a sombra nas folhas das árvores, nas casas e sobre nós. Sendo um dia de calor, novas possibilidades de luz e sombra também poderão ocorrer pela presença acentuada das nuvens no céu, estas sombras projetam-se sobre o chão ou em outras folhas mostrando ao observador mais cuidadoso os diferentes tons de sombras existentes naquele instante e naquele local, e mesmo em dias chuvosos, a paleta de cinzas traz em seus neutros uma vibração, seja pelas gotas de água que escorrem pelas janelas e folhas das plantas, seja pelos poucos raios de luz que escapolem por entre as mesmas nuvens.
Esta luz do sol também nos deixa perplexos diante do mar e das cores que vamos percebendo ao observá-lo, uma relação que tem haver com a absorção e a reflexão da luz que chega até nós . Daí percebermos o mar azul, ou tons escuros se mergulharmos muito fundo em locais de pouca incidência de luz. Já ao passearmos pela praia, veremos tons que vão de um amarelo claro, passando pelo azul esverdeado até chegar em um tom de azul violeta.
Esta observação tão natural hoje para nós, foi inusitada no final do século XIX, quando um grupo de jovens pintores franceses se reuniam para pintar em passeios, regatas, piqueniques ou simplesmente fora do seu atelier, nos jardins de suas casas. Com toda aquela luz invadindo os quadros e as rápidas mudanças da forma de pensar a pintura, não havia como fazer uma imagem idealizada, uma cena completa, um fundo pintado ou uma pincelada retocada. No final eram grandes manchas que surgiam e tomavam conta das telas dos artistas com aquela sensação de que o quadro se estendia além dos seus limites. Pura experimentação.
Os uso de fundos coloridos e de uma rica variação tonal proveniente da observação e da captura de imagens das paisagens nas diversas horas do dia com pinceladas grosseiras foi a quebra de muitos paradigmas e o princípio da livre expressão formal e colorística, tão necessária ao fazer artístico, onde a pesquisa do movimento e as descobertas científicas da época possibilitaram em poucos anos, percorrer caminhos que registraram os efeitos da luz solar sobre suas telas.
Todo o idealismo das imagens ficou para a fotografia, que foi sendo aperfeiçoada pela busca de um efeito pictórico e de uma materialidade, dando origem aos primeiros roteiros cinematográficos com os irmãos Lumière, uma vez que o interesse dos pintores impressionistas franceses era de criar obras espontâneas, inspiradas na natureza.
No Brasil, Eliseu Visconti um artista ítalo-brasileiro foi quem deixou transparecer em suas telas o ensino dos grandes mestres, e também o dinamismo do sol em quadros que mostrava a natureza e cenas diárias. Ele é considerado um mestre de transição entre a pintura acadêmica e a moderna que nasceu, historicamente, com a exposição de 1917 de Anita Malfatti .
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