Serigrafias Pintadas, a técnica
As serigrafias pintadas, nasceram após workshops e conversas pessoais com o artista Dionisio del Santo.
Nestas oficinas ele explicava com entusiasmo a sua pesquisa técnica que se fundamentava no emprego simultâneo das tintas opacas e transparentes foscas e estimulava o aspecto experimentador deste processo de impressão contribuindo para a escolha consciente da criação artística com a meta do nosso viver. Já que para ele era fundamental deixar agir em cada um de nós o “fiat-lux da criação”: o lúdico que se deixaria materializar sobre o papel.
Após a sua oficina, sempre foi um longo processo romper com a falta de tempo, de material e espaço adequado para realizar as minhas experiências e produzir mais gravuras.
O processo que usei para vencer tais questões e começar a minha produção foi observar as imagens produzidas na oficina assim como os textos provenientes destas observações. Assim iniciei meu trabalho onde cada tela, ou serigrafia pintada, demorava quase 2 horas para ficar pronta.
Com o manuseio dos recortes de papel e das tintas transparentes opacas fui obtendo minhas tiragens únicas (1/1). Sugerindo movimentos, relevos e texturas ao quais acrescentei o uso de pinceladas livres sobre o nylon que substituíam o uso de matrizes espontâneas em algumas das etapas da tiragem da peça única.
Em outras, após o chapado com tinta transparente opaca, eu fazia a superposição de várias camadas da mesma tinta com alternância das formas orgânicas. Este resultado se aproximou bastante do efeito da aquarela, pois as formas, ou eram diluídas na transparência das tintas que se encontravam sobre o suporte, ou construídas pela transparência superposta e pintada sobre a tela e imediatamente transposta para o suporte, como um caos borbulhante!
Assim pude alcançar a cada impressão uma materialidade produzida pelo próprio manuseio da tinta ainda no suporte.
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Estas e outras serigrafias foram expostas em galerias de Vitória e Vila Velha (ES). E agora, estão reunidas aqui para minha homenagem a este grande artista capixaba, Dionísio Del Santo, peça única no cenário da serigrafia artística. A quem dedico este poema:
Passados são 22 anos
Do seu retorno ao ponto de origem.
em busca da paz
e do abraço amigo.
Peça única, de grande valor
Uma vida dedicada a sua arte.
Da cor que materializou.
O crepúsculo de uma existência
Quanta saudade…
Das suas conversas e das suas oficinas,
Da sua obra transcendental brotando sob nossos olhares.
A minha gratidão e meu abraço ao mestre tão querido,
autor de obras únicas maravilhosas.
Cuja presença pictórica é viva!
Como um gérmen de uma geração.