Temperos e legumes
Uma mãe com sangue mediterrâneo e amor pela cozinha
Muitos motivos levam cada um de nós a cozinhar. Um deles é o prazer de preparar uma comida bem temperada. Isto envolve cultivar o paladar mas também o olho para reconhecermos alguns temperos que na culinária do dia a dia transformam o sabor e a textura dos alimentos, principalmente dos legumes.
Naturalmente, isso acontece em uma cozinha próxima ao quintal da casa onde entre as flores do jardim plantadas, no chão ou em vasos, temos também tomate, cebolinha, couve, hortelã, manjericão e limão, herança de um aprendizado com pais e nonnas cujas casas frequentávamos nas férias escolares e lá brincávamos com os primos de pique-esconde, subir na pitangueira, comer melado de cana no tacho e mangas debaixo das árvores do pomar. Desta época, a lembrança vem dos almoços em família, comida farta e colorida com urucum e temperos verdes que eram plantados bem próximo à porta da cozinha ou em um cercado para que as galinhas não fossem lá ciscar.
Uma comida gostosa sempre servida numa louça branca, muita conversa ao redor da mesa que ficava em uma grande varanda com dois grandes bancos de madeira tosca feita em serrarias locais. Salada de tomate e no centro da mesa, longe das crianças, um litro com conserva de pimenta malagueta e conserva de farinha de mandioca. Sem esquecer é claro da chapa quente sobre o fogão à lenha onde ficava o arroz, a polenta de milho moído na pedra e a galinha caipira para não esfriar. Quando terminávamos o almoço, a criançada saía pra brincar. Enquanto isto, as panelas de alumínio eram areadas e o fogão a lenha recebia “cal” e ficava limpo para a próxima refeição.
Uma comida simples, fresca, versátil e farta com ingredientes colhidos no quintal de casa e que por vezes eram ali mesmos comidos como os tomates. Esta foi a minha experiência na infância com os alimentos. Onde os molhos utilizados no preparo dos pratos, de maneira rudimentar mas muito saudáveis e saborosos, foram sendo reinterpretados por mim, em minha própria cozinha, na qual fui acrescentando novas ervas aromáticas e aumentando os cortes nos legumes, de talos e algumas folhas que após regadas com o azeite davam um sabor extra ao paladar.
Tudo para permanecer com a essência da comida dos meus antecessores, valorizando o sabor original dos alimentos com molhos leves e cozimento delicado, na qual fui acrescentando novas ervas aromáticas ou simplesmente reduzindo ao mínimo o corte de legumes, de talos e algumas folhas que após regados com o azeite e davam um sabor extra ao paladar. Tudo para permanecer com a essência da comida dos meus antecessores, valorizando o sabor original dos alimentos com molhos leves e cozimento delicado.